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Doença de Peyronie

História

A menção mais antiga conhecida da Doença de Peyronie foi possivelmente em 3000 a.C. Isso é evidenciado por uma escultura minóica encontrada no santuário de uma divindade com poderes curativos. Como a escultura era a única demonstrando um pênis ereto, com uma curvatura ventral distinta e sem outras doenças visíveis, essa foi a primeira evidência da doença.

François Gigot de Lapeyronie (1678-1747), cirurgião francês.

A Doença de Peyronie recebeu seu nome atual de François Gigot de La Peyronie depois que ele descreveu uma condição crônica e fibrosante do pênis, em 1743. Na época, ele era o médico pessoal do rei Luís XV, embora não esteja claro se o rei exibiu sinais de Peyronie.
As estatísticas indicam que a Doença de Peyronie ocorre em cerca de 6 em cada 100 homens, com idades entre 40 e 70 anos.

Como ocorre a Doença de Peyronie

Muito ainda é desconhecido sobre as causas da Doença de Peyronie.
Estudos sugerem que a doença é um distúrbio que faz com que áreas de tecido cicatricial endurecido — chamadas placas — formem-se no pênis, logo abaixo da superfície da pele. Essas placas tornam o pênis menos flexível, como resultado, os homens com Doença de Peyronie apresentam uma curva perceptível no órgão e até encurtamento.

Normalmente, as feridas cicatrizam em três fases: primeiro, as enzimas limpam a ferida do tecido morto ou danificado; em segundo lugar, o corpo repara a ferida formando uma cicatriz que fortalece o tecido lesionado; finalmente, as fibras de colágeno que compõem a cicatriz são quebradas e realinhadas deixando uma cicatriz menor “remodelada”.

Na doença de Peyronie, a cicatrização não é apenas extrema, a remodelação da cicatriz não ocorre ou é insuficiente.
Sabemos que uma das causas para desencadear essa cicatrização anormal é o trauma evidente no pênis ereto. Isso pode variar desde um trauma significativo por sexo vigoroso (a famosa “fratura de pênis”) ou uma série de pequenos traumas, como os que ocorrem durante o coito normal.

Também é possível que alguns casos da Doença de Peyronie sejam herdados. Sabe-se que a doença é mais comum em homens diabéticos e portadores de gota, duas condições que podem afetar o processo de cicatrização. Há uma associação relatada entre a Doença de Peyronie e um distúrbio genético chamado contratura de Dupuytren — em que o tecido cicatricial se forma ao longo da bainha, ao redor dos tendões na palma da mão, fazendo com que o dedo anular se contraia para dentro.

Eu tenho a Doença de Peyronie?

Em alguns homens, a Doença de Peyronie pode aparecer rapidamente, da noite para o dia. Em outros, ela se desenvolve gradualmente.

Conheça os sintomas da Doença de Peyronie:

Placa ou nódulo

A placa ou nódulo se desenvolvem sob a pele da haste do pênis. Eles são causados pelo acúmulo de excesso de colágeno e desenvolvimento de tecido cicatricial no pênis.
Eles podem ocorrer em qualquer lugar ao longo da haste do pênis, mas geralmente aparecem na parte superior.

Você pode sentir uma placa (ou várias) sob a pele, elas podem parecer macias no início e ficar mais firmes à medida que se desenvolvem.
Como as placas são compostas de tecido cicatricial, elas não se esticam como os tecidos normais do pênis e impedem que a área afetada se expanda adequadamente durante uma ereção. Isso leva a alterações na forma do órgão (também chamadas de deformidades penianas ou curvaturas).

Deformidade peniana

A maioria dos homens com Doença de Peyronie tem algum tipo de deformidade peniana. As alterações na forma do pênis podem incluir curvatura (o sinal mais comum), estreitamento (ou ampulheta) e encurtamento.
Como essas deformidades são causadas por placas, que não se expandem como o tecido peniano normal, elas são mais visíveis durante a ereção e a forma do pênis depende da localização e tamanho da placa.
O pênis se inclina para o lado onde a placa está localizada. A curvatura mais comum é para cima (causada por uma placa na parte superior do pênis), mas também ocorre curvatura para baixo ou para a esquerda ou para a direita. Alguns homens com múltiplas placas podem ter curvatura em mais de uma direção.
Se houver placas nos lados opostos do pênis, ocorre o estreitamento ou ampulheta, fazendo com que o eixo do pênis se estreite como o gargalo de uma ampulheta.
O encurtamento pode ocorrer, com ou sem curvatura, se a placa estiver localizada mais internamente no pênis; o encurtamento pode ser notado com ou sem ereção.

Quanto maior o grau de curvatura, maior a probabilidade de ela interferir na capacidade de ter relações sexuais. As deformidades em ampulheta são menos propensas a interferir na relação sexual, mas podem causar instabilidade peniana ou “dobradiça” durante a penetração.

Dor peniana

A dor pode ocorrer com ou sem ereção. Mais da metade dos homens com Doença de Peyronie experimentam dor no pênis. Para muitos, é um dos primeiros sintomas perceptíveis.
Embora a dor geralmente ocorra durante a ereção, também pode acontecer quando o pênis está flácido, devido a inflamação na área onde a placa está se formando. Felizmente, para a maioria dos homens, a dor desaparece 6 a 12 meses após o início da doença.

Disfunção erétil

A Doença de Peyronie pode causar disfunção erétil (DE). Estima-se que mais de dois terços dos homens com Doença de Peyronie experimentem DE.

Embora alguns homens com Doença de Peyronie tenham condições médicas que podem contribuir para o DE (como pressão alta, doenças cardíacas e diabetes), existe uma relação de causa e efeito bem estabelecida, devido a alguns fatores:

Curvatura peniana — a curvatura pode impedir a relação sexual ou causar dor na parceira. A curvatura combinada e o estreitamento do eixo podem levar à instabilidade peniana, mesmo na ereção máxima.

Dor peniana — alguns homens podem evitar a ereção devido à dor no pênis.

Ansiedade — a ansiedade sobre o desempenho pode impedir que o homem tenha ou mantenha uma ereção.

Alterações físicas no interior do pênis — a placa pode danificar os tecidos eréteis dentro do pênis e impedir que eles funcionem corretamente.

Conversando sobre a Doneça de Peyronie

É importante que os homens com a Doença de Peyronie — e seus parceiros — saibam que não estão sozinhos. Muitos homens têm vergonha de sua condição ou ficam nervosos ao discutir isso com um médico, especialmente, com uma parte do corpo que define sua masculinidade.

A Doença de Peyronie pode afetar emocionalmente os homens e seus parceiros. Os homens podem sentir-se deprimidos porque não podem ter relações sexuais como costumavam fazer, além de se sentir ansiosos com a atividade sexual futura. Isso pode até acarretar o afastamento do casal e isolamento social do homem.

A Doença de Peyronie é tratada por urologistas — médicos especializados em problemas com o pênis e órgãos relacionados. Mas nem todos os urologistas têm experiência no diagnóstico e tratamento da Doença de Peyronie. Isso é ainda mais importante quando se trata de escolher um cirurgião para reconstrução da deformidade peniana.

Você deve sentir-se à vontade com seu urologista e confiante de que o médico possui os conhecimentos necessários. Um urologista com experiência na Doença de Peyronie pode te tranquilizar, dando-lhe detalhes sobre a sua doença e o que pode ser feito a respeito, com um plano de ação específico.

Às vezes, marcar a primeira consulta é o passo mais difícil. Nesta primeira avaliação é feito um questionário e uma avaliação detalhada sobre seus sintomas, seu histórico médico e um exame físico. Se possível, você pode trazer fotografias do pênis ereto tiradas de diferentes ângulos. Isso ajuda o urologista a ver exatamente a forma e o tipo de curvatura que você possui. Também é importante que você faça muitas perguntas — não apenas sobre o seu diagnóstico, mas o que você deve esperar quanto à progressão da doença ou aos resultados do tratamento.

Se possível, traga sua parceira com você para obter suporte e entender a real situação.

A consulta sobre a Doença de Peyronie não pode ser realizada em 5 a 10 minutos; portanto, minhas consultas costumam passar de 30 a 45 minutos quando com pacientes com a Doença de Peyronie. A discussão da doença deve abranger a causa, a história natural da condição, as opções de tratamento não cirúrgicos e, para pacientes com doença avançada, as opções cirúrgicas. É importante entender como a doença afetou a sua função sexual.

O impacto emocional da Doneça de Peyronie

A Doença de Peyronie pode mudar a sua vida. Ela afeta sua masculinidade, ou seja, a parte física que a define. Portanto, não é de surpreender que alguns homens com um pênis curvado possam sentir raiva. Você pode se perguntar: “Por que isso tem que acontecer comigo?”

Para muitos homens com Doença de Peyronie, a relação sexual torna-se difícil e frustrante. A penetração pode tornar-se desconfortável ou dolorosa para o homem e sua parceira. Em alguns casos, a relação sexual torna-se impossível.
Os sentimentos de medo e ansiedade são comuns, diante de perguntas como: “A atividade sexual vai piorar o problema? A dor diminuirá? O pênis pode voltar ao normal?”

Você também pode sentir-se envergonhado e com a autoestima baixa devido à aparência do pênis, levando a situações de isolamento e receio com novos relacionamentos.

Todas essas emoções e sentimentos podem se transformar em depressão e podem necessitar da ajuda de um terapeuta. Estima-se que até três quartos dos homens com Doença de Peyronie tenham algum distúrbio psicológico como resultado de sua doença.

Também é importante entender o impacto emocional da Doença de Peyronie nos parceiros. Muitos parceiros querem conversar sobre a situação, mas não entendem o que é realmente a Doença de Peyronie ou não sabem como iniciar uma conversa tão delicada. Mas é importante tentar. Ser aberto sobre a Doença de Peyronie pode ajudar ambas as partes a resolver o problema e manter seu relacionamento forte.

Homero Ribeiro – Doctoralia.com.br

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