
Sentir dor no pênis durante a ereção costuma deixar qualquer homem preocupado, e muitos preferem esperar para ver se passa. O Dr. Homero Ribeiro, urologista e andrologista em Brasília, dá um recado claro sobre isso: se você "começou a sentir dor no pênis durante a ereção, principalmente se isso vem repetindo várias vezes, vale prestar atenção, porque uma das possibilidades é o início da doença de Peyronie".
Neste texto, explicamos o que é a doença de Peyronie, por que a dor pode ser um dos primeiros sinais, quem costuma ter a condição, quais outros sinais merecem avaliação e por que não vale a pena esperar para conversar com o urologista.
Entendendo o problema: o que é a doença de Peyronie
A doença de Peyronie é uma condição benigna do pênis. Nas palavras do Dr. Homero, é "uma doença que vai fazer uma fibrose, uma cicatriz interna no corpo cavernoso, e isso pode mudar o formato do seu pênis".
Para entender, vale lembrar como o pênis é formado. A ereção acontece quando os corpos cavernosos, duas estruturas internas em forma de cilindro, se enchem de sangue. Eles são envolvidos por uma camada firme e elástica, chamada túnica albugínea. Na doença de Peyronie, forma-se nessa camada uma área de cicatriz, chamada de placa. Essa placa é menos elástica do que o tecido ao redor. Na ereção, enquanto o restante do pênis se expande, a região da placa estica menos. O resultado pode ser uma curvatura, um afinamento em um ponto do pênis, um encurtamento ou outras mudanças no formato.
A causa exata ainda não é totalmente conhecida. A hipótese mais aceita é que pequenos traumas repetidos, muitas vezes imperceptíveis, durante a relação sexual ou outras atividades, desencadeiem uma cicatrização anormal em homens com alguma predisposição.
Por que a dor pode ser um dos primeiros sinais
A doença de Peyronie costuma ser descrita em duas fases.
Fase ativa (ou inicial). É o período em que a cicatriz ainda está se formando. Nessa fase, a dor durante a ereção é uma queixa comum, e a curvatura pode aparecer, aumentar ou mudar ao longo das semanas e meses. Muitas vezes, o homem percebe primeiro a dor e só depois a mudança no formato.
Fase estável. Com o tempo, o processo de cicatrização se acomoda. Em muitos casos, a dor diminui ou desaparece, e a curvatura para de mudar. O que ficou de deformidade, porém, tende a permanecer.
Por isso, a dor na ereção que se repete é um sinal que merece atenção. Ela pode ser a primeira pista de que algo está acontecendo, antes mesmo de qualquer mudança visível. Avaliar cedo permite acompanhar a evolução e discutir as opções adequadas a cada fase.
Quem costuma ter a doença de Peyronie
Segundo o Dr. Homero, a doença "costuma aparecer entre os 50 e 60 anos de idade, mas também pode acontecer antes dos 50 ou depois dos 60 anos de idade, até em pacientes mais jovens".
Algumas condições aparecem com mais frequência em quem tem a doença de Peyronie, como diabetes, dificuldade de ereção, histórico de trauma no pênis e outras doenças que envolvem fibrose, como a contratura de Dupuytren, que forma cordões firmes na palma da mão. Ter um desses fatores não significa que a doença vai aparecer, mas reforça a importância de observar os sinais.
Nem toda dor é Peyronie
Um ponto importante, lembrado pelo próprio Dr. Homero: "nem toda dor é Peyronie e nem todo paciente com Peyronie vai sentir dor".
A dor no pênis durante a ereção pode ter outras causas, como inflamações, infecções, pequenas lesões na pele ou no freio do prepúcio, alterações na uretra ou na próstata, e até tensão muscular na região pélvica. Por outro lado, há homens com doença de Peyronie que nunca sentem dor e só percebem a curvatura ou um endurecimento ao toque.
É por isso que o diagnóstico não se faz pela internet nem por comparação com a experiência de outra pessoa. Quem diferencia uma causa da outra é a avaliação com o urologista.
Sinais de alerta
Além da dor na ereção que se repete, o Dr. Homero chama atenção para mudanças na anatomia do pênis: "uma curvatura, um nó, um caroço, uma mudança no formato do pênis". Fique atento a:
- dor no pênis durante a ereção, principalmente se ela se repete;
- uma curvatura nova ou que está aumentando;
- um nó, caroço ou área endurecida que pode ser sentida ao toque;
- um afinamento em algum ponto do pênis, com aspecto de "ampulheta";
- sensação de que o pênis encurtou;
- dificuldade para manter a ereção ou para a penetração por causa da curvatura.
Situações de urgência: uma ereção dolorosa que não cede por horas, ou dor forte com estalo e inchaço durante a relação, não são sinais típicos da doença de Peyronie e pedem atendimento de emergência.
Quando procurar o especialista
A orientação do Dr. Homero é direta: "Não precisa esperar, isso pode atrapalhar muito a sua vida sexual". Vale procurar um urologista quando:
- a dor durante a ereção aparece com frequência;
- você percebe qualquer mudança no formato do pênis;
- sente um nó ou endurecimento ao toque;
- a curvatura atrapalha a relação ou causa desconforto à parceria;
- a situação está afetando a sua autoestima ou a sua vida a dois.
Procurar ajuda cedo não significa que será necessário algum procedimento. Significa entender o que está acontecendo e definir com o médico o melhor acompanhamento para o seu caso.
Como é a avaliação
A consulta começa por uma conversa sobre os sintomas: quando a dor começou, se a curvatura apareceu, se está mudando e como está a ereção. Em seguida, vem o exame físico, em que o urologista palpa o pênis para localizar e medir a área endurecida.
Em alguns casos, o médico pode solicitar exames complementares, como a ultrassonografia do pênis com Doppler, que ajuda a avaliar a placa e o fluxo de sangue. Fotos do pênis em ereção, feitas pelo próprio paciente em casa, também podem ajudar a registrar a curvatura e acompanhar a evolução.
Opções de tratamento
O tratamento da doença de Peyronie é individual e depende principalmente da fase da doença, da intensidade da dor, do grau de curvatura e de como está a ereção.
- Na fase ativa, o foco costuma ser o controle da dor e o acompanhamento da evolução. Dependendo do caso, o urologista pode indicar medicamentos para dor, terapia de tração peniana ou outras medidas clínicas.
- Em casos selecionados, existem tratamentos com aplicação de medicamento diretamente na placa, indicados e acompanhados pelo especialista.
- Na fase estável, quando a curvatura atrapalha a relação, pode-se discutir a correção cirúrgica. Existem diferentes técnicas, escolhidas de acordo com o tipo de deformidade e com a qualidade da ereção. Quando há também disfunção erétil importante, a prótese peniana pode fazer parte da conversa.
Em todos os cenários, a decisão é compartilhada entre médico e paciente, com expectativas realistas sobre o que cada opção pode oferecer.
Perguntas frequentes
Toda dor durante a ereção é doença de Peyronie? Não. A dor pode ter várias causas, e nem todo paciente com Peyronie sente dor. Só a avaliação com o urologista diferencia uma situação da outra.
A doença de Peyronie é um câncer? Não. É uma condição benigna, causada por uma cicatriz na camada que envolve os corpos cavernosos.
A dor da doença de Peyronie passa? Em muitos casos, a dor diminui com o tempo, à medida que a doença entra na fase estável. A curvatura, porém, pode permanecer, por isso vale acompanhar desde o início.
Devo esperar a curvatura aparecer para procurar o médico? Não. Como orienta o Dr. Homero, não precisa esperar. A avaliação na fase inicial permite acompanhar a evolução e discutir as opções no momento certo.
A doença de Peyronie afeta a ereção? Pode afetar. A curvatura pode dificultar a penetração, e alguns homens com Peyronie também têm dificuldade de ereção. Por isso, a avaliação olha para os dois aspectos.
Qual médico devo procurar? O urologista, de preferência com atuação em andrologia, que é a área dedicada à saúde sexual masculina.
Conclusão
Dor no pênis durante a ereção, principalmente quando se repete, é um sinal que não deve ser ignorado. Uma das possibilidades é o início da doença de Peyronie, uma cicatriz interna que pode mudar o formato do pênis. Mas nem toda dor é Peyronie, e nem todo paciente com Peyronie sente dor.
Se você percebeu dor, curvatura, um nó, um caroço ou qualquer mudança no formato do pênis, não precisa esperar. Uma consulta com o urologista ajuda a entender o que está acontecendo, acompanhar a evolução e cuidar da sua saúde sexual com informação e segurança.
Este conteúdo tem caráter educativo e não substitui a consulta médica. Para diagnóstico e tratamento adequados, procure um profissional qualificado.
Dr. Homero Ribeiro | Urologista e Andrologista | CRM-DF 15092 | RQE 13443.
O Dr. Homero Ribeiro é médico urologista especialista em andrologia, com atuação dedicada à saúde sexual masculina em Brasília. Trabalha com tratamentos clínicos e cirúrgicos de medicina sexual — disfunção erétil, prótese peniana, preenchimento peniano, doença de Peyronie e vasectomia minimamente invasiva —, com uma abordagem acolhedora, sem tabus e baseada em evidências.
Fontes
- Nehra A, Alterowitz R, Culkin DJ, et al. Peyronie's Disease: AUA Guideline. J Urol. 2015;194(3):745-753.
- European Association of Urology. EAU Guidelines on Sexual and Reproductive Health — Penile curvature / Peyronie's disease. Disponível em: https://uroweb.org/guidelines/sexual-and-reproductive-health

