Doença de Peyronie

Pênis torto e posição na cueca: o que define a curvatura

Dr. Homero Ribeiro, autor dos artigos sobre saúde masculina do blog

Conteúdo assinado pelo Dr. Homero Ribeiro

Urologia e Andrologia · CRM-DF 15092 | RQE 13443

Pênis torto e posição na cueca: o que define a curvatura

"Tenho o pênis torto, qual é a melhor posição para deixar o pênis na cueca?" A pergunta chegou assim, sem rodeio, e traduz uma preocupação comum entre homens que notaram uma curvatura: a de que o jeito de acomodar o pênis no dia a dia tenha causado o problema, possa piorar a curva ou, ao contrário, ajude a endireitar.

A resposta do Dr. Homero Ribeiro, urologista e andrologista em Brasília, desfaz a dúvida logo de saída. A posição dentro da cueca, "pra cima, pra baixo, pra direita ou pra esquerda", não determina a curvatura. Na doença de Peyronie, a causa mais conhecida de curvatura que surge na vida adulta, o que entorta o pênis é uma alteração no próprio tecido, e ela se revela num momento específico: a ereção.

Por que a posição na cueca não determina a curvatura

O Dr. Homero resume o centro da questão: "A curvatura na doença de Peyronie, ela aparece principalmente quando o pênis está ereto, está rígido."

Flácido, o pênis é macio e maleável. Ele se acomoda onde houver espaço, para cima, para baixo ou para um dos lados, conforme a roupa e o conforto. Nesse estado não há pressão dentro dele nem tecido sob tensão, e é justamente a tensão da ereção que revela a curva. Por isso, o lado em que o pênis fica guardado não molda o formato que ele terá quando ficar rígido. É comum, aliás, que o pênis flácido penda mais para um lado, e isso, por si só, não é sinal de doença.

Então, qual é a melhor posição na cueca para quem tem o pênis torto? A que for mais confortável. Nenhuma posição causa, piora ou corrige a curvatura da doença de Peyronie. Nas palavras do Dr. Homero, "o problema não é para o lado que você guarda o pênis mole na cueca".

Entendendo a doença de Peyronie: a bexiga e o esparadrapo

Para explicar o que acontece, o Dr. Homero usa uma comparação simples: "imagina uma bexiga ali que está murcha e a gente vai colocar um esparadrapo ali de um lado".

Com a bexiga vazia, o esparadrapo passa despercebido: "Enquanto ela está vazia, a bexiga, quase não vai aparecer nada." Quando a bexiga é enchida, a borracha se estica por igual, menos no trecho coberto, porque "aquela região do esparadrapo, ela não vai conseguir expandir como o restante". O resultado é que "a bexiga vai entortar pra aquele lado". E não importa como a bexiga vazia estava guardada: o que define a curva é o esparadrapo.

No pênis, o papel da borracha é da túnica albugínea, a membrana firme e elástica que envolve os corpos cavernosos, as estruturas que se enchem de sangue na ereção. Na doença de Peyronie, forma-se em um trecho dessa membrana uma placa de tecido fibroso, uma espécie de cicatriz, menos elástica que o tecido ao redor. É o esparadrapo da comparação: "tem uma placa ali que vai perder a elasticidade da membrana".

Na ereção, a túnica precisa se distender por igual. O lado saudável estica; o lado da placa, não. "Então, durante a ereção, aquele lado não vai expandir adequadamente", e o pênis curva em direção à placa: placa em cima puxa a curva para cima; embaixo, para baixo; na lateral, para o lado.

A causa exata ainda é estudada. A explicação mais aceita é a de uma cicatrização alterada depois de pequenas lesões na túnica, muitas vezes imperceptíveis, que acontecem com o pênis ereto, sobretudo na relação sexual, em homens com predisposição. Nenhuma dessas etapas passa pela cueca.

A doença costuma ter duas fases. Na fase ativa, ou inflamatória, a placa ainda está se formando: pode haver dor na ereção, e a curva pode aumentar ou mudar. Na fase estável, a dor tende a desaparecer e a curvatura para de progredir. Essa divisão, descrita na diretriz da Associação Europeia de Urologia (EAU), orienta o momento de cada tratamento.

Sinais de alerta e diagnóstico

Nem toda curvatura é doença. Há homens que têm uma curva discreta desde sempre, sem placa e sem incômodo: é a curvatura congênita, que não tem relação com a doença de Peyronie. O que chama atenção na doença é a mudança. Os sinais mais comuns são:

  • curvatura nova, ou que piorou, durante a ereção;
  • nódulo ou endurecimento que pode ser sentido ao tocar o pênis;
  • afinamento em um trecho do pênis ereto;
  • sensação de que o pênis ficou mais curto;
  • dor na ereção, mais típica da fase ativa;
  • dificuldade na penetração por causa da curva.

Quase todos esses sinais aparecem com o pênis ereto. Por isso, observar o pênis flácido na cueca diz pouco sobre a curvatura.

Na consulta, o urologista faz a história clínica e examina o pênis para localizar a placa. A diretriz da Associação Americana de Urologia (AUA) recomenda que a avaliação comece pela história e pelo exame físico e que, antes de qualquer tratamento invasivo, a curvatura seja avaliada em ereção induzida no consultório, com ou sem ultrassom com Doppler.

O que não fazer: forçar o pênis ereto contra a curvatura

Se a posição na cueca não importa, há um gesto que importa, e muito. O Dr. Homero faz o alerta: "Quando o pênis estiver ereto, você não tem que tentar forçar, dobrar o pênis contra a curvatura pra tentar endireitar, que isso pode prejudicar mais ainda e causar mais lesão."

A explicação volta à bexiga: cheia, ela está sob pressão, e dobrá-la para o lado contrário não descola o esparadrapo, só força a parede. No pênis ereto, a túnica já está tensionada, e a dobra forçada pode provocar novas pequenas lesões, justamente o tipo de lesão associado à formação da placa. Em situações extremas, a dobra brusca do pênis ereto pode romper a túnica, a chamada fratura peniana, que é uma urgência urológica.

Na prática, o que não fazer:

  • não dobrar nem tentar endireitar o pênis ereto à força;
  • não seguir manobras ou aparelhos da internet por conta própria;
  • não ignorar dor na ereção ou na relação;
  • não trocar de lado na cueca esperando corrigir a curva.

E o que fazer: escolher a posição na cueca pelo conforto, anotar quando a curva apareceu e se mudou, registrar fotos do pênis ereto de lado e de cima e levar tudo à consulta com o urologista.

Quando procurar o especialista

Vale marcar uma consulta com o urologista quando:

  • a curva surgiu ou mudou na vida adulta;
  • há nódulo, endurecimento ou afinamento no pênis;
  • a ereção dói;
  • a curva dificulta a penetração;
  • a ereção perdeu firmeza junto com a curva.

Se, durante a relação, houve um estalo seguido de perda da ereção, dor forte, inchaço ou mancha roxa no pênis, a avaliação deve ser imediata, em serviço de urgência. Na fase ativa, a consulta precoce permite acompanhar a evolução, cuidar da dor e definir se algum tratamento faz sentido desde já.

Opções de tratamento

Mudar a posição na cueca não está entre elas. O tratamento da doença de Peyronie depende da fase, do grau e da direção da curva, da presença de dor e da qualidade da ereção. De forma geral, as opções incluem:

  • acompanhamento e controle da dor na fase ativa, com reavaliações;
  • tração peniana, em casos selecionados e sob orientação, com foco principal em preservar o comprimento;
  • tratamentos aplicados na placa, em situações específicas;
  • cirurgia na fase estável, quando a curva impede a relação, com técnicas que corrigem o lado mais longo ou o lado da placa, ou com prótese peniana quando há disfunção erétil associada.

Cada caminho tem indicações e limites, e a escolha é feita caso a caso, na avaliação.

Perguntas frequentes

Guardar o pênis sempre do mesmo lado da cueca pode deixar o pênis torto?

Não. A posição do pênis flácido na cueca não determina a curvatura. Na doença de Peyronie, a curva vem de uma placa na membrana que envolve o pênis e aparece na ereção.

Existe uma posição na cueca que ajude a endireitar o pênis?

Não. Nenhuma posição corrige a curvatura, e nenhuma piora. A escolha pode seguir o conforto.

Por que a curvatura só aparece com o pênis ereto?

Porque é na ereção que a membrana precisa se distender. O lado da placa, menos elástico, expande menos, e o pênis curva para esse lado, como a bexiga com esparadrapo quando é enchida.

Dobrar o pênis ereto para o lado contrário corrige a curva?

Não, e pode piorar. Forçar o pênis ereto contra a curvatura pode causar novas lesões na túnica. Qualquer recurso para a curva deve ser indicado pelo urologista.

O pênis flácido que pende para um lado é sinal de doença de Peyronie?

Por si só, não. O que merece avaliação é a curva na ereção que surgiu ou mudou, acompanhada ou não de dor e nódulo.

A curvatura da doença de Peyronie pode mudar com o tempo?

Pode, principalmente na fase ativa, quando a placa ainda está se formando. Na fase estável, ela tende a parar de progredir.

Conclusão

A posição na cueca não é o problema. O lado em que o pênis fica guardado quando está flácido não influencia a doença de Peyronie: a curvatura nasce de uma placa que tira a elasticidade de um lado da membrana e aparece na ereção, como a bexiga com esparadrapo quando é enchida.

O que pede cuidado é outra coisa: não forçar o pênis ereto contra a curvatura e não deixar sem avaliação uma curva nova ou que mudou. Uma consulta com o urologista ajuda a entender a fase da doença e as opções disponíveis para cada caso.

Este conteúdo tem caráter educativo e não substitui a consulta médica. Para diagnóstico e tratamento adequados, procure um profissional qualificado.

Dr. Homero Ribeiro | Urologista e Andrologista | CRM-DF 15092 | RQE 13443

Urologista especialista em andrologia, com atuação focada na saúde sexual do homem. Reúne tratamentos clínicos e técnicas cirúrgicas reconhecidas internacionalmente em medicina sexual, como o implante de prótese peniana, o preenchimento peniano, o tratamento da doença de Peyronie e a vasectomia minimamente invasiva. Atende em Brasília, com conteúdo educativo, acolhedor e sem tabu.

Fontes

  • Nehra A, Alterowitz R, Culkin DJ, et al. Peyronie's Disease: AUA Guideline. The Journal of Urology. 2015;194(3):745-753. American Urological Association.
  • European Association of Urology (EAU). EAU Guidelines on Sexual and Reproductive Health, capítulo Curvatura peniana / Doença de Peyronie (edição vigente). Arnhem: EAU Guidelines Office. https://uroweb.org/guidelines/sexual-and-reproductive-health

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